Hidrocefalia · 6 min de leitura

Hidrocefalia: quando a neuroendoscopia é uma alternativa

10 de julho de 2026 · Dr. William Andrade

Dr. William Andrade, neurocirurgião pediátrico

Hidrocefalia é o acúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano (o líquido que normalmente circula e amortece o cérebro e a medula) dentro dos ventrículos cerebrais. Quando esse líquido não circula ou não é absorvido corretamente, a pressão dentro do crânio aumenta — e isso pode afetar o desenvolvimento neurológico da criança se não for tratado.

O tratamento tradicional: a válvula (DVP)

Por décadas, o tratamento padrão da hidrocefalia foi a derivação ventriculoperitoneal (DVP) — um sistema de válvula e cateter que drena o excesso de líquido do cérebro pra outra parte do corpo, geralmente o abdômen. É um tratamento eficaz e ainda é a escolha certa pra muitos casos. Mas é um implante permanente, que exige acompanhamento contínuo e pode eventualmente precisar de revisão ao longo da vida da criança.

A alternativa: terceiro ventriculostomia endoscópica (TVE)

Em casos selecionados, a neuroendoscopia permite tratar a hidrocefalia sem implantar nenhum dispositivo. Na terceiro ventriculostomia endoscópica (TVE), um endoscópio é usado pra criar uma pequena abertura que permite ao líquido cefalorraquidiano circular por uma via natural alternativa, aliviando a pressão sem depender de uma válvula.

É importante ser direto sobre isso: a TVE não é indicada pra todos os tipos de hidrocefalia. A causa, a idade da criança e a anatomia específica de cada caso determinam se essa é uma opção viável. Parte do valor de uma avaliação especializada é justamente essa: determinar, caso a caso, se existe uma alternativa menos invasiva antes de indicar um implante permanente.

Sinais que podem indicar hidrocefalia em bebês

  • Aumento rápido do perímetro cefálico, acima do esperado pra idade
  • Fontanela (moleira) tensa ou abaulada
  • Irritabilidade, sonolência excessiva ou vômitos persistentes
  • Olhos que parecem "olhar pra baixo" com mais frequência (sinal do sol poente)

Em crianças maiores, os sinais podem incluir dor de cabeça persistente, alterações de equilíbrio ou mudanças no desempenho escolar. Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma hidrocefalia — mas justificam avaliação.

Fontes de referência: Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed), International Society for Pediatric Neurosurgery (ISPN).

Falar pelo WhatsApp