Craniossinostose · 5 min de leitura

Craniossinostose: sinais e tratamento

10 de julho de 2026 · Dr. William Andrade

Dr. William Andrade, neurocirurgião pediátrico

Craniossinostose é a fusão precoce de uma ou mais suturas do crânio do bebê — as "linhas" de tecido flexível entre os ossos do crânio que normalmente permanecem abertas nos primeiros anos de vida pra acomodar o crescimento do cérebro. Quando uma sutura fecha cedo demais, o crânio pode crescer de forma irregular, porque o crescimento é redirecionado para as áreas onde as suturas ainda estão abertas.

Como os pais costumam notar

Na maioria dos casos, o sinal mais evidente é uma alteração no formato da cabeça do bebê — um crânio alongado, achatado de um lado, ou com uma crista óssea visível ao longo de uma sutura. É importante lembrar que nem toda alteração de formato craniano é craniossinostose: a plagiocefalia posicional (achatamento por postura, muito comum em bebês que dormem sempre do mesmo lado) é bem mais frequente e tem manejo completamente diferente. Por isso o diagnóstico diferencial precisa ser feito por avaliação clínica e, quando necessário, exame de imagem — não só pela aparência.

Por que a avaliação precoce importa

O crânio de um bebê cresce rapidamente nos primeiros meses de vida, acompanhando o crescimento do cérebro. Quanto mais cedo a craniossinostose é identificada, mais opções de abordagem existem — incluindo, em alguns casos, técnicas menos invasivas que dependem justamente de o tratamento acontecer numa janela de idade específica. Por isso, encaminhamento e avaliação especializada não devem ser adiados quando há suspeita.

Como é feita a avaliação

  • Exame físico detalhado do formato craniano e das suturas
  • Histórico da gestação, do parto e da evolução do crescimento da cabeça
  • Exame de imagem (geralmente tomografia com reconstrução 3D) para confirmar quais suturas estão envolvidas
  • Discussão das opções de abordagem com a família, incluindo tempo, riscos e o que esperar de cada uma

O que uma família deve levar pra consulta

Se possível, leve fotos do bebê em diferentes ângulos ao longo do tempo (elas ajudam a documentar a evolução do formato craniano), qualquer exame de imagem já realizado, e a caderneta de saúde da criança com as medidas de perímetro cefálico registradas nas consultas pediátricas.

Fontes de referência: Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed), International Society for Pediatric Neurosurgery (ISPN).

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